"Existe apenas um pecado, um só. E esse pecado é roubar. Qualquer outro é simplesmente a variação do roubo. Quando você mata um homem, está roubando uma vida. Está roubando da esposa, o direito de ter um marido, roubando dos filhos um pai. Quando mente, está roubando de alguém o direito de saber a verdade. Quando trapaceia, está roubando o direito à justiça […]"
Escrito em primeira pessoa, “O
Caçador de Pipas” – Khaled Hosseinei, traz o protagonista Hassan, na visão de
Amir.
Sim, afirmo que Hassan é o
protagonista. Todas as principais decisões tomadas na vida de Amir foram
tomadas em volta de Hassan, fosse por inveja, raiva ou amor ao amigo.
O que Amir mais deseja é a atenção,
o carinho e a admiração do pai, o que, em sua visão infantil, o pai dá a
Hassan.
Amir é filho de um homem
extremamente importante e rico. Sua mãe morreu ao lhe dar a luz e, por este
motivo, Amir acredita que o pai sinta raiva dele, além do fato de preferir ler
a brigar. A casa deles é a maior e mais bonita do bairro rico de Cabul, como
descrita pelo autor. Ele vive de aparências, é medroso e é cheio raiva e
inveja.
Hassan é o oposto de Amir, é
carinhoso e extremamente gentil. Hassan não guarda mágoas, nem sabe qual o
significado desta palavra. Seu pai, Ali, “trabalha” para a família de Amir
desde que Ali ficou órfão aos 5 anos. Baba
(pai de Amir) e Ali cresceram juntos e sempre foram grandes amigos. Hassan usa
o estilingue como ninguém, e para ajudar Amir, entrou em uma grande confusão,
em que Assef perdeu um olho (Guarde isso pois a vingança de Assef aconteceu). O
maior desejo de Hassan é ler como Amir. Hassan é leporino e jamais reclama do
trabalho ou da vida, jamais puxa confusão, jamais desrespeita alguém, jamais abandona
Amir.
O mais importante de tudo:
Hassan ama incondicionalmente Amir. E você só entenderá o real sentido desta
expressão quando ler este livro e conhecer Hassan.
O livro conta sobre a infância
dos dois em Cabul. E em como a vida de ambos mudou aos doze anos de Amir... Em
um campeonato de pipas, Amir viu a oportunidade de ganhar a admiração de seu
Pai, e montou um plano com Hassan, o melhor caçador de pipas de toda Cabul. O
plano era simples, Amir derrubaria todas as pipas do céu (com Hassan comandando
a linha) e depois Hassan recuperaria a última pipa a cair para colocarem na
parede como troféu e nunca esquecerem este dia e Amir ganhar a estima do pai.
Basicamente todo o plano deu certo. E realmente o dia nunca foi esquecido. Quando
Hassan corre para apanhar a última pipa, ele encontra Assef. Amir vai a procura
do seu amigo e acaba testemunhando Hassan sendo brutalmente violentado por
Assef. Falta, a Amir, coragem para intervir e ele prefere manter seu
conhecimento sobre o fato em segredo, além de que se intervisse a pipa poderia
ser perdida e ela estava lá, atrás da cena. No entanto, a culpa que ele passou
a sentir perante à sua inatividade naquele momento envenena bruscamente seu
relacionamento com Hassan.
Não podendo mais tolerar a
presença de Hassan em sua casa, Amir prepara uma armadilha para seu amigo,
escondendo dinheiro e um relógio sob o colchão de Hassan para incriminá-lo.
Apesar de ser inocente, Hassan prefere confessar o roubo a complicar seu amigo. Ali
e Hassan deixam a casa de Baba, com este em lágrimas. Amir se sente ainda pior
com a traição que cometeu.
"Abri a boca e quase disse algo. Quase. O resto da minha vida poderia ter sido diferente se eu tivesse dito alguma coisa naquela hora. Mas, não disse. Só fiquei olhando. Paralisado"
Em 1980, Amir e seu pai deixam o
Afeganistão, vão para Peshawar, no Paquistão, e, em seguida, para os EUA,
escapando do novo regime soviético. Em 1984, Amir e Baba estão morando na
Califórnia. Baba trabalha em um posto de gasolina e ganha um dinheiro extra
vendendo sucatas em uma feira aos domingos, almejando pôr seu filho numa
faculdade. Baba é diagnosticado com um câncer no pulmão. Amir conhece Soraya
Taheri, com quem se casa mais tarde. Baba morre pouco depois do casamento. Os
anos se passam. Amir embarca em uma bem-sucedida carreira como romancista. Ele
e Soraya não podem ter filhos e relutam em adotar uma criança. Em 2001, quinze
anos depois da morte de Baba, Amir recebe um telefonema de Rahim Khan(um antigo
sócio e grande amigo seu e de seu pai). Amir viaja para o Paquistão para
encontrá-lo. Rahim se mudou para o antigo casarão de Baba, levando consigo
Hassan, a mulher e o filho de Hassan, Sohrab. Hassan e sua mulher foram assassinados por um
soldado taliban. Seu filho foi levado para um orfanato. Rahim Khan pede a Amir
que ele retorne ao Afeganistão para resgatar Sohrab. Para persuadi-lo, Rahim
revela um segredo de família: Ali era estéril e Baba era o verdadeiro pai de
Hassan, fazendo com que Amir e Hassan fossem meio-irmãos. Após relutar muito, ele
localiza o orfanato e é informado que o garoto fora levado por um oficial
Taliban, que o usa como escravo sexual. Amir acha o oficial e pergunta por
Sohrab, no entanto, o oficial é Assef.
Ainda tem bastante história, mas vou deixar vocês com água na boca e vontade de ler o livro.
Só digo uma coisa, o fim inicia a redenção de Amir e a esperança de dias melhores para Sohrab.
Achei o livro bastante triste, mas é um livro maravilhoso, com grandes lições de amor e lealdade. Gostei tanto deste que não descansei enquanto não encontrei o outro livro do autor: "A Cidade do Sol". Ainda não li, mas estou ansiosa.
Sobre o filme? O livro é muuuuiito melhor, mas o filme também é bom. Leia o livro e assista o filme. Eu recomendo!
Editora: Nova Fronteira
Lançamento: 2005
Páginas: 368
Preço: Comprei por R$ 18,00 no Sebo Elemental.
“Pode ser injusto, mas o que acontece em poucos dias, às vezes até uma única vez, pode alterar o rumo da sua vida inteira”.
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